Como saber se o juro do financiamento do carro é abusivo?
Flávio Calixtoconsultor financeiroConferido em 3 min de leitura
Resposta curta
Compare a taxa do seu contrato com a média do Banco Central do mês em que você assinou. Em agosto de 2026, a média para financiamento de veículo foi de 1,97% ao mês (26,42% ao ano). Taxa muito acima pode acender um alerta, mas não é automático: o juiz analisa caso a caso.
Pegue o contrato na mão e faça a conferência em 3 passos.
1. Ache a taxa e o CET
No contrato, procure a taxa de juros ao mês e o CET (Custo Efetivo Total). O CET é o custo total da operação: juros + tarifas + seguro embutido.
2. Compare com a média do Banco Central
O Banco Central publica a taxa média de juros do financiamento de veículos para pessoas físicas. Em agosto de 2026, ela foi de 1,97% ao mês (série SGS 25471), o equivalente a 26,42% ao ano (série SGS 20749).
Use a média do mês em que você assinou, não a de hoje. O site do Banco Central também mostra a taxa média de cada banco, em "Taxas de juros de operações de crédito".
3. Muito acima? Acende o alerta
Vários tribunais usam como sinal de alerta uma taxa de 1,5 vez a média. Com a média de agosto de 2026, isso dá cerca de 2,96% ao mês (1,97 × 1,5 = 2,955).
Mas atenção: não é automático. No julgamento do REsp 1.061.530 (recurso repetitivo de 2008), o STJ definiu que a taxa média do Banco Central é uma referência e que a abusividade deve ser analisada caso a caso. Em decisão de 2023, o STJ também afirmou que passar de 1,5, 2 ou 3 vezes a média não configura abusividade por si só.
Cuidado com quem manda parar de pagar
Desconfie de quem orienta a parar de pagar a parcela enquanto "revisa" o contrato. Atrasar pode levar à busca e apreensão do carro, que no financiamento com alienação fiduciária segue o Decreto-Lei 911/1969.
Se a sua taxa estiver muito acima da média, procure o Procon, a Defensoria Pública ou um advogado de sua confiança antes de qualquer decisão.
Um exemplo
Um motorista que ganha R$ 3.000 por mês assinou o financiamento do carro em agosto de 2026. A referência dele é a média daquele mês: 1,97% ao mês. Se a taxa do contrato estiver perto disso, está na média do mercado. Se passar de cerca de 2,96% ao mês (1,5 vez a média), acende o alerta. Isso não prova que a taxa é abusiva, mas é motivo para buscar orientação, continuando a pagar as parcelas em dia.
Perguntas frequentes
O que é o CET do financiamento?
É o Custo Efetivo Total: reúne juros, tarifas e seguro embutido. É o número que mostra quanto o financiamento custa de verdade, além da taxa de juros.
Minha taxa está acima de 1,5 vez a média. Então é abusiva?
Não necessariamente. Comparar com a média é o ponto de partida: o STJ manda analisar caso a caso. Se a taxa estiver muito acima, procure o Procon, a Defensoria Pública ou um advogado de sua confiança.
Posso parar de pagar enquanto contesto o juro?
Cuidado: atrasar a parcela pode levar à busca e apreensão do carro (Decreto-Lei 911/1969). Desconfie de quem orienta a parar de pagar.
Fontes
- Banco Central, SGS 25471 (taxa média mensal, aquisição de veículos, pessoas físicas): 1,97% em ago/2026 · 05/10/2026
- Banco Central, SGS 20749 (taxa média anual, aquisição de veículos, pessoas físicas): 26,42% em ago/2026 · 05/10/2026
- STJ, REsp 1.061.530/RS (recurso repetitivo, 2008): taxa média como referência e análise caso a caso · 05/10/2026
- Conjur: "Juros abusivos impedem apreensão de carro com financiamento atrasado" · 04/08/2026
- Decreto-Lei 911/1969 (alienação fiduciária e busca e apreensão) · 05/10/2026